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Apresentação

Epistemologias do Sul: lutas, saberes e ideias de futuro

22 a 30 de junho de 2017, Curia (Portugal)

 

A 4ª EDIÇÃO DA ESCOLA DE VERÃO "EPISTEMOLOGIAS DO SUL" IRÁ DECORRER ENTRE 21 E 29 DE JUNHO, 2018 NA CURIA (PORTUGAL). PARA INFORMAÇÕES SOBRE ESTA ESCOLA CLIQUE AQUI.

Imagem da Escola de Verão 2016

 

A TERCEIRA EDIÇÃO DA ESCOLA DE VERÃO INTERNACIONAL “EPISTEMOLOGIAS DO SUL” É UM ESPAÇO COLETIVO DESENHADO PARA CONHECER, EXPERIMENTAR, DISCUTIR E AMPLIAR AS EPISTEMOLOGIAS DO SUL. 

 

São parte desta escola Boaventura de Sousa Santos, autor da proposta epistemológica que dá nome ao curso, investigadoras e investigadores do projeto Alice, bem como convidados e convidadas que dialogam com os temas e perspetivas em discussão. Entre os últimos, encontra-se o conhecido filósofo, pensador político e músico Lewis Gordon, a quem se juntam outros/as artistas e ativistas para desafiar e ampliar a nossa forma de pensar e sentir o mundo. À semelhança do que aconteceu nas edições anteriores, espera-se um grupo de participantes com origens diversas em termos de geografia, experiências e saberes.

Como tem afirmado Boaventura, vivemos numa época em que a agressividade do capitalismo neoliberal global tem sido especialmente evidente, um momento de polarização crescente entre o mundo do medo sem esperança e o mundo da esperança sem medo. Pelo mundo, é evidente o confronto com toda uma sorte de violências e indignidades resultantes da pobreza extrema; do desemprego; de desastres ambientais e da extração predadora de recursos; da violência em nome da raça, do género, da orientação sexual ou da deficiência; dos fundamentalismos religiosos, da imposição de estados de exceção, das políticas anti-imigração, etc. Ao mesmo tempo, grupos sociais cada vez mais restritos acumulam poder económico, social e político. Se a polarização vem de longe, é hoje mais evidente [A incerteza entre o medo e a esperança].

Na primeira década do presente milénio, o Sul global foi um espaço de esperança. Nos últimos tempos, em muitos lugares, as lutas ofensivas com vista ao aprofundamento da democracia, à ampliação dos direitos e da participação, deram lugar a lutas defensivas, que pretendem evitar a perda dos direitos conquistados. Os problemas modernos (liberdade, igualdade, fraternidade) estão cada vez mais longe de se resolverem pelas soluções modernas (revolução e reformismo). O Norte global está numa encruzilhada, sem soluções para os problemas do mundo, sem soluções para os seus próprios problemas. Precisamos de outra ética, outra política e muita imaginação epistemológica para enfrentar estes desafios.

Neste cenário, as Epistemologias do Sul surgem para colocar em discussão a centralidade hegemónica do projeto moderno de matriz eurocêntrica e apostar na aplicação de uma perspetiva radical que promova justiça cognitiva e justiça social. A partir do diálogo Sul-Sul e Sul-Norte, denunciam a dominação epistemológica colonial que conduz sistematicamente à supressão de saberes inconsistentes com o cânone científico definido pela modernidade ocidental e promovem a valorização de conhecimentos nascidos nas lutas sociais contra a opressão e a discriminação causadas pelo capitalismo, pelo colonialismo e pelo patriarcado e no estabelecimento de relações horizontais e de enriquecimento mútuo entre os vários saberes.

 

São quatro as premissas em que assentam as Epistemologias do Sul:

1. a compreensão do mundo excede em muito a compreensão ocidental do mundo;

2. não faltam alternativas no mundo, o que falta é um pensamento alternativo de alternativas: muita da diversidade do mundo é desperdiçada, porque as teorias e conceitos desenvolvidos no Norte global e usados em todo o mundo académico não identificam grande parte dessa diversidade;

3. a diversidade do mundo é infinita e nenhuma teoria geral a pode captar;

4. a alternativa a uma teoria geral é construída em quatro passos: sociologia das ausências, sociologia das emergências, ecologia de saberes, tradução intercultural. 

 

 

 

 

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