CES em Cena
 
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Editorial

Quarenta anos de futuro

Quem poderia imaginar, há quarenta anos, que o CES seria um dia o que é hoje? Uma vibrante comunidade científica de 800 pessoas entre investigadores, investigadores em pós-doutoramento, investigadores juniores, investigadores visitantes e doutorandos trabalhando nas diversas áreas das ciências sociais e humanas, com atividades científicas em todos os continentes. O CES é hoje uma comunidade constantemente renovada por várias centenas de estudantes de doutoramento e de investigadores de pós-doutoramento que se enriquecem connosco e nos enriquecem. O pequeno grupo que comigo se lançou na aventura de criar um centro de investigação que correspondesse aos nossos anseios e aspirações estava preocupado em criar algo de novo e não tinha tempo nem disponibilidade para discutir planos de desenvolvimento de longo prazo. Eram tempos inaugurais, tanto para a democracia depois de quarenta e oito anos de ditadura, a que a Revolução de 25 de Abril de 1974 pusera termo, como para as ciências sociais e humanidades que, em grande medida, tinham ficado à margem da enorme expansão desta vastíssima área de conhecimento, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial.

Tivemos a ousadia de fazer das fraquezas forças. O atraso com que partíamos aliviava-nos do peso das inércias; atentos às inovações epistemológicas e à crítica do fechamento disciplinar, tínhamos mais confiança nas abordagens interdisciplinares e transdisciplinares que queríamos desenvolver; acabados de sair de um serôdio ciclo colonial, era total a nossa disponibilidade para estabelecer relações não-colonialistas entre a Europa e o vasto mundo não-europeu; num país ansioso por fazer curto-circuitos históricos que o compensassem do atraso fascista, queríamos desenvolver conhecimento reconhecido internacionalmente e, ao mesmo tempo, comprometido com as complexas tarefas da construção de uma sociedade democrática e justa.

E o tempo que se seguiu passou depressa: a fundação da Revista Crítica de Ciências Sociais; os primeiros projetos de investigação nacionais e depois internacionais; a criação da licenciatura em Sociologia na Faculdade de Economia; uma colaboração fecunda com a Faculdade de Letras; o reconhecimento oficial do nosso desempenho de excelência ao sermos elevados à categoria de Laboratório Associado, que nos permitiu ter mais estabilidade financeira e contratar investigadores a tempo inteiro oriundos de vários países; a profissionalização da nossa equipa de gestão e administração; os primeiros programas de doutoramento e o ar fresco que entrou nas nossas salas de aula e de estudo com as sucessivas levas de estudantes, também eles oriundos de vários países, atraídos por essa diáfana categoria que se foi designando por “Escola CES”.

Estou certo de que os próximos quarenta anos passarão igualmente depressa e com muito mais para contar.

Boaventura de Sousa Santos
Diretor do Centro de Estudos Sociais

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