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COORDENAÇÃO CIENTÍFICA
António Sousa Ribeiro
COORDENAÇÃO EXECUTIVA
Graça Capinha - gcapinha@ces.uc.pt
APRESENTAÇÃO
O foco temático deste programa incide na questão
das linguagens, recebendo particular destaque o tema do
silêncio – para melhor pensarmos as práticas
sociais contemporâneas: o silêncio como linguagem e/ou
como uma linguagem; os silêncios que, seletivamente, deixam
de o ser, deixando-se que outros permaneçam; o
silêncio como excesso em que o não-dito, o interdito,
o inaudito permanecem; o silêncio dos vencidos e o
silêncio dos vencedores; o silêncio como alternativa
política e social, mas também como alternativa
epistemológica. No jogo entre linguagem e silêncio se
constrói, socialmente, aquilo a que chamamos
“real”: a história, a literatura, as
identidades, todas as práticas sociais com que nos
deparamos num mundo nunca antes tão transnacionalizado.
A literatura e os Estudos Anglo-Americanos oferecem-nos um
espaço privilegiado para observar vozes que têm o
poder de se fazer ouvir – num mundo em que o poder
hegemónico tem uma língua, o inglês, e/ou uma
ideologia tornada dominante por muitos meios (desde o mercado aos
media, à cultura e à arte). Mas a literatura e os
Estudos Anglo-Americanos oferecem-nos, paradoxalmente,
também a possibilidade de observar as vozes que, no centro
desse poder (ou nas suas margens, que, contudo, fazem, para
nós, parte desse centro ainda), não conseguiram
fazer-se ouvir hegemonicamente, porque, mesmo em inglês, as
suas linguagens eram outras.
Ocupando-se de domínios da história da cultura e da
ciência, dentro de uma perspetiva transdisciplinar vinculada
a um âmbito cronológico que transcorrerá
sensivelmente entre os finais do século XIX e a atualidade,
a História aborda correntes de pensamento, processos de
reflexão metodológica, práticas culturais e
diferentes experiências nos campos da produção
literária, das artes figurativas e multimédia, e da
cultura de massas. Também esta área se mostra
particularmente vocacionada para o reconhecimento histórico
e a abordagem analítica e interpretativa dos processos de
representação que, no mundo contemporâneo,
visam suscitar a conceção de modelos alternativos
aos dominantes e a participação em processos de
mudança e de rutura no domínio das iniciativas
culturais, dos projetos políticos e do desenvolvimento
científico e tecnológico.
Finalmente, a Sociologia, seguindo esta esteira, observa a
relação das diferentes linguagens com a capacidade
e/ou possibilidade de exercer direitos e deveres em sociedade,
quer de uma perspetiva política – no exercício
de direitos de cidadania através da
participação e/ou governação –,
quer de uma perspetiva epistemológica que, contudo,
não pode nunca deixar de ser social e política
– no uso e autoridade de cada forma de conhecimento e, mais
do que isso, na possibilidade ou não de procurar
formas/linguagens outras de conhecimento. Quais as linguagens que
ficam dentro e quais as linguagens que ficam fora da
negociação política e social? Quais as
hierarquias dos saberes e quais as formas de
participação que lhes são permitidas? Quais
os silenciamentos e quais os porquês desses silenciamentos?
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