CORDENADORES: Pedro Hespanha e José Manuel Mendes
Esta área temática tem vindo a ganhar
centralidade crescente na investigação realizada no
CES.
A expectativa de que as desigualdades diminuiriam com a democracia
política, com o desenvolvimento económico, com a generalização
da educação e com a protecção social
pública tem vindo a desvanecer-se à medida que o reforço
destes factores tarda em diminuir as desigualdades. Em particular,
as promessas de políticas redistributivas estão a
ficar aquém do que teria sido necessário para obter
qualquer efeito nivelador.
O Estado falha em assegurar as funções de principal
produtor de bem-estar e vai perdendo a sua legitimidade de principal
organizador das solidariedades, ao mesmo tempo que a comunidade
e o mercado disputam para si essas funções. O desenvolvimento
das iniciativas particulares orientadas para a criação
de um espaço público não estatal ilustra bem
o dinamismo da esfera comunitária, o qual se revela em todos
os níveis territoriais.
A situação de welfare mix passa, assim, a representar
o modo corrente de articulação destas diferentes formas
de produção de bem-estar, as quais evidenciam mudanças
profundas na sua actuação: o mercado expande-se para
além dos seus limites tradicionais pela incorporação
progressiva de áreas das esferas estatal e comunitária
e descaracteriza-se pela emergência de formas alternativas
da produção; a comunidade reemerge sob formas mais
institucionalizadas e de mais amplo recorte espacial; o Estado privatiza-se,
perde capacidade regulatória e aproxima-se ora do modelo
empresarial capitalista ora dos movimentos sociais emancipatórios.
A abordagem destas e de outras mudanças relacionadas com
o tema das novas solidariedades desdobra-se nas seguintes linhas
de investigação:
1. O novo pluralismo assistencial:
(i) recalibração das relações entre
Estado, mercado e comunidade; (ii) a reforma do Estado assistencialista;
(iii) a reemergência e os dilemas do terceiro sector; (iv)
os espaços públicos não estatais; (v) os riscos
da secundarização da sociedade civil.
2. Os sistemas alternativos de produção:
(i) a superação das rupturas entre economia e sociedade;
(ii) as novas formas organizativas e sociais da produção;
(iii) a revalorização e institucionalização
do informal; (iv) outsiders e insiders; (v) contratualização
fragmentada.
3. O programa Norte/Sul: (i) as
novas e as velhas desigualdades; (ii) globalização,
incerteza e risco social; (iii) dominação, discriminação
e apartheid social; (iv) efeitos do capitalismo desregulado; (v)
neo-proteccionismo e universalização dos direitos
sociais mínimos (safety nets).
4. Sindicalismo e transformação
do emprego: (i) do welfare ao workfare; (ii) a questão
da centralidade do trabalho; (iii) desemprego e exclusão
social; (iv) o novo contrato social e a partilha do trabalho; (v)
as alternativas ao trabalho enquanto meio de integração
social: o rendimento de cidadania; (vi) crise do sindicalismo e
novas formas de participação colectiva; (vii) os limites
do diálogo social e da concertação.
5. Classes e desigualdades sociais:
(i) recomposição; (ii) mobilidade social; (iii) desigualdades
sociais.
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