Resumo:
Os termos da produção de conhecimento e as incidências do vivido são frequentemente omitidos em favor do estatuto dos saberes adquiridos. Confrontando essa tentação, e partindo de uma experiência etnográfica recentemente realizada em Moçambique, recupera-se um conjunto de eventos que reconstroem e problematizam uma passagem pessoal marcada pelo encontro com a diferença do sul. Um sul sedeado na cidade da Beira, à beira do Índico, entre as pessoas cegas. A investigação em torno das pessoas cegas tentou percorrer fronteiras que a um tempo se prendem com a cultura e com o corpo. Os ecos de um quotidiano feito de relações e incorporações humanas do sul são também propostas para deslocar a produção de ciência para os terrenos do vivido.
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