Seminário
Conflitos sócio-ambientais e produção de conhecimento: experiências da Saúde Pública/Coletiva no Brasil
18 de Maio de 2007, 15:00h, sala de seminários (piso 1) do CES

Organização: Núcleo de Estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade, Núcleo de Estudos de Democracia, Cidadania Multicultural e Participação e Programa de Doutoramento "Governação, Conhecimento e Inovação"

 
 

Moderação e comentários: João Arriscado Nunes e Marcelo Firpo Porto - Convênio CES e FIOCRUZ

Tendências da pesquisa social em saúde no Brasil e a ENSP/FIOCRUZ 
Lenira Zancan (Dep. Ciências Sociais - ENSP/FIOCRUZ)

Conflitos Sócio-Ambientais nos Espaços Urbanos e Rurais no Brasil 
Marcelo Firpo Porto (CESTEH/ENSP/FIOCRUZ)

Laboratório Territorial de Manguinhos: em busca de uma promoção da saúde emancipatória
Fátima Pivetta (CESTEH/ENSP/FIOCRUZ)

O campo da saúde, e suas interfaces com o ambiente, tem-se tornado um dos terrenos mais produtivos e inovadores da pesquisa em ciências sociais, tendo grande relevância na cooperação e pesquisa transdisciplinares. Esta situação é observável tanto nos países do Norte como nos do Sul, havendo convergências em torno das dinâmicas e factores que afectam a produção de conhecimento em saúde e ambiente. Contudo, são visíveis diferenças com respeito às prioridades temáticas e às orientações epistemológicas, teóricas e metodológicas.

Um dos temas que tem estado na origem de um diálogo de pesquisa entre países do Norte e do Sul é o da emergência de novos actores colectivos em situações de vulnerabilidade desigual, que se organizam em resposta a ameaças à sua saúde e ao ambiente. Nestes contextos, importa elucidar os modos de produção de novas configurações de conhecimentos, que visam restituir a complexidade de processos que são indissociavelmente ecológicos, biológicos e sociais, bem como a identificação dos actores e processos envolvidos, e as formas de articulação e de fecundação mútua de modos de conhecimento distintos no espaço de comunidades ampliadas de pares. A proliferação, no Norte e no Sul, de movimentos sociais e de organizações que lidam com a saúde, o ambiente, a justiça ambiental e sanitária, é uma expressão vigorosa da relação nem sempre fácil que os cidadãos estabelecem com os saberes sobre a saúde e o ambiente.

Neste seminário serão analisadas e exploradas experiências inovadoras que condensam de forma rica os problemas e questões acima enunciados, em contexto brasileiro. Os oradores convidados são pesquisadores da ENSP/FIOCRUZ (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz) - instituição de renome mundial - e têm uma larga trajectória de trabalho académico e de intervenção na sociedade relacionado com o objecto em questão.

Lenira Zancan é cientista social, Mestre em Saúde Pública, com especialização nas áreas de Políticas Públicas e Saúde, Educação em Saúde e Arte e Educação. Pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz desde 1984. Tem desenvolvido actividades de pesquisa, ensino e produção científica relacionadas aos temas da Promoção da Saúde, Políticas Públicas, Avaliação de Programas Sociais, Intersetorialidade e Políticas de Saúde. É membro do GT Promoção da Saúde e Desenvolvimento Local da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO. Dirigiu o Departamento de Ciências Sociais da ENSP, coordenou o Projecto de Avaliação do Programa de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável de Manguinhos e o convénio de Cooperação Brasil-Canadá em Promoção da Saúde. Participa do grupo de trabalho do Projecto Laboratório Territorial de Manguinhos (LTM), em especial na coordenação pedagógica do Programa de Vocação Científica de Ensino Médio – PROVOC DLIS.

Marcelo Firpo Porto é Pesquisador Titular do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (CESTEH/ENSP/FIOCRUZ) e professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Saúde Pública e Meio Ambiente. Tem uma ampla experiência de cooperação internacional nos últimos anos em diferentes projectos, entre os quais: projecto de intercâmbio (pós-doutorado) apoiado pela CAPES e Fundação Humboldt (República Federal da Alemanha) com o Instituto de Sociologia Médica da Universidade de Frankfurt entre 2001 e 2003, sobre o tema "Desenvolvimento de abordagens integradoras envolvendo populações vulneráveis em situações de risco ambiental"; coordenador do projecto de pesquisa e cooperação técnica em andamento financiado pela CAPES (convênio CAPES/SECYT) com o Programa de Investigaciones sobre Recursos naturales y Medio Ambiente da Universidade de Buenos Aires; coordenador do projecto de pesquisa em andamento com o Mount Sinai Hospital/Queens College de Nova Iorque sobre o tema da justiça ambiental, financiado pela instituição norte-americana.

Fatima Pivetta é Química Industrial, Mestre em Química Analítica Inorgânica, com especialização em monitoramento da exposição a substâncias químicas pela Universita Degli Studi Di Brescia – Itália. Tecnologista Senior do Centro de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana – CESTEH, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, desde 1986. Foi vice-coordenadora do CESTEH e chefe do Laboratório de Toxicologia do Centro. Actualmente, desenvolve actividades de pesquisa, ensino e produção científica relacionadas aos temas da Promoção da Saúde, tendo como foco central o desenvolvimento de uma abordagem ecossocial. Membro do GT Promoção da Saúde e Desenvolvimento Local da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO. Membro da coordenação do “Laboratório Territorial de Manguinhos”.

 
 
  Centro de Excelência - Processo de Avaliação de Unidades de Investigação do Ministério da Ciência e da Tecnologia, 2005
  CES Centro de Estudos Sociais