Nota biográfica:
Docente no Departamento de Ciências Sociais do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, obteve doutoramento em Sociologia da Inovação em regime de co-tutela na Ecole Supérieure des Mines de Paris e no Instituto Superior de Economia e Gestão, com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. A sua tese reconstroi a trajectória da barragem de Alqueva a partir da circulação desta no espaço público português, propondo a re-discussão de questões clássicas tais como a relação da técnica e da sociedade em grandes empreendimentos hidroeléctricos. Os seus interesses científicos actuais cruzam várias questões: trajectórias de objectos técnicos e científicos, controvérsias técnicocientíficas e debates públicos, instituições científicas e conhecimento, e finalmente políticas de investigação científica e do ensino superior.
Resumo :
Partindo de uma investigação empírica sobre a barragem de Alqueva, que incidiu numa recolha exaustiva de imprensa num período de mais 40 anos, convida-se a olhar para a trajectória desta barragem. Referiremos as perspectivas dos estudos da ciência e da técnica e a abordagem do actor-rede como enquadramento à nossa análise, mostrando como uma etnografia mulsitio à barragem de Alqueva pode devolver ao observador dados sobre a forma como os vários actores se ligam entre si e com objectos diferentes. A nossa proposta é de ler a configuração da barragem de Alqueva como um processo de singularização a partir das várias demonstrações sociotécnicas que inserem actores em formatos muito diversos. Veremos assim como a força desta barragem se mantém nas várias fases da sua existência, ao mesmo tempo que assistimos à construção da sociedade portuguesa. |