Seminário no âmbito Ciclo de Seminários do Núcleo de Cidadania e Políticas Sociais
A nova tendência para a activação nas políticas sociais portuguesas
Pedro Hespanha
1 de Março, 18.00h, CES

Entrada livre - Inscrição

 
 

Resumo:

Até há pouco tempo, a activação era um conceito quase desconhecido tanto na legislação quanto no discurso político em Portugal. Hoje os principais instrumentos legais que regulam a proteção social integram esta preocupação de obrigar os beneficiários das políticas sociais a darem algo em contrapartida da ajuda recebida (de preferência trabalho).

Por toda a Europa, a falta de uma resposta adequada das políticas de carácter compensatório ao risco persistente de insegurança e às novas formas de vulnerabilidade social suscitou as maiores críticas a essas políticas e também o aparecimento e a popularização das políticas sociais activas capazes de se ajustarem às necessidades individuais. Ao mesmo tempo, a activação veio a tornar-se a palavra chave destinada a mobilizar os beneficiários das políticas e os serviços que as executam  para os novos métodos de intervenção.

Contudo, a activação revelou-se um instrumento de política muito ambíguo. Aberta aos objectivos mais díspares ela pôde ser apropriada por projetos políticos e ideológicos e assumir uma configuração mais ou mais menos compulsória para os destinatários. Procurarei discutir esta ambiguidade e mostrar como a crescente ênfase posta na activação em Portugal foi usada para legitimar as políticas neoliberais mais impopulares, ao mesmo tempo que, por razões sociais, políticas e também económicas, o lado compulsório da activação foi suavizado.

 
 
  Centro de Excelência - Processo de Avaliação de Unidades de Investigação do Ministério da Ciência e da Tecnologia, 2005
  CES Centro de Estudos Sociais