Resumo:
A comunicação pretende iluminar as relações entre práticas no interior dos laboratórios de genética e a transformação da paisagem em Portugal e Moçambique nos anos do Estado Novo. Ao seguir o desenvolvimento de sementes em laboratório explora-se também a relevância dos cientistas como actores do grande projecto fascista de estabelecer laços profundos entre o homem e a terra. É difícil perceber a materialização da ideologia de uma nova arcádia rural em Portugal, ou das ambições coloniais em África, ignorando os trigos seleccionados pela Estação Agronómica Nacional ou as sementes de algodão adaptadas às condições ambientais de Moçambique pelo Centro de Investigação Científica Algodoeira de Moçambique (CICA). Mais do que entender o melhoramento de plantas como uma ferramenta do fascismo, sugere-se olhar para a história do melhoramento como parte crucial da história do fascismo.
Nota biográfica:
Tiago Saraiva, Doutor em História da Ciência pela Universidade Autónoma de Madrid, é actualmente Investigador Auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, além de Visiting Professor da University of California Los Angeles. Tem várias publicações dedicadas à estreita relação entre desenvolvimento científico e expansão urbana no século XIX, entre as quais se destaca o livro ‘Ciencia y Ciudad: Madrid y Lisboa, 1851-1900’ (Madrid, 2005). A sua investigação mais recente junta a História da Ciência e da Tecnologia à História Ambiental, explorando o papel decisivo do trabalho científico em grandes laboratórios nas mudanças da paisagem ao longo do século XX. Interessa-se em particular pela polémica relação entre Ciência e Fascismo.
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