Apresentação:
O domínio da saúde constitui um terreno
fértil para explorar as interacções e determinação
mútua dos processos biológicos, ambiente e sociedade.
Os diagnósticos moleculares são, muitas vezes, vistos
como uma possibilidade de abrir caminho a intervenções
físicas e 'correctivas' sobre os genes que alegadamente estão
na origem de uma série de condições ou situações
indesejáveis, debilitantes ou letais.
A promessa de terapias genéticas foi um dos pontos de atracção
fundamentais para o considerável financiamento atribuído
ao Projecto do Genoma Humano. Contudo, após o fim, virtual,
do projecto o grau de complexidade que ele agora sugere ultrapassa
largamente a abordagem reducionista anteriormente proposta. Daí
resultou uma discussão renovada sobre o que os genes podem
ou não fazer e como o fazem que parece apontar novos caminhos
que, por sua vez, abrem espaço a alguns avanços promissores,
desta vez dentro daquilo a que se designa por medicina "regenerativa".
O actual entusiasmo em relação à investigação
com células estaminais aparece, muitas vezes, associado a
uma nova mística da "reprogenética", como
sucessora de uma outra linha de investigação ligada
ao ADN, nos anos 80 e 90, que acarretou um enorme financiamento.
Esse entusiasmo obscureceu, de alguma forma, a necessidade de perceber
a complexidade da interacção entre biologia, ambiente,
sociedade e política na reconstrução do conhecimento
sobre saúde e doença e na definição
das prioridades de investigação e cuidados de saúde.
Os oradores convidados da primeira sessão são:
Anne Fausto-Sterling (Brown University, EUA),
Adele Clarke (University of California, San Francisco, EUA),
Ana Soto e Carlos Sonnenschein (Tufts University, EUA),
Vololona Rabeharisoa (Centre de Sociologie de l'Innovation, França),
Carlos Machado de Freitas (Fundação Oswaldo Cruz - Brasil),
Jorge Sequeiros (Instituto de Biologia Molecular e Celular, Portugal)
Organização e coordenação:
João Arriscado Nunes, Centro de Estudos Sociais, jan@ces.uc.pt
João Ramalho Santos, Centro de Neurociências e Biologia Celular, jramalho@ci.uc.pt
Universidade de Coimbra
Patrocínio:
Fundação Calouste Gulbenkian
Apoios:
British Council
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
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