Nota biográfica:
Professor/pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais / Programa de Mestrado e Doutoramento em Geografia; Bacharel e Licenciado em Geografia pela UFMG; Pós-graduação em Geografia Humana pela PUC.MINAS; Mestre em Demografia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG; Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista. Autor de diversos artigos, ensaios, resenhas e crônicas em periódicos científicos e em jornais, relacionados aos saberes socioespaciais, socioambientais, à sociologia à literatura. Coordenador do projeto, intitulado A Subversão da Ética Disciplinar, envolvendo pós-graduandos da UFMG e personagens da vida cotidiana. Autor do livro A Mobilidade das Fronteiras, Editora UFMG, publicado em 2002, reimpresso em 2006.
Resumo:
Ao longo das últimas décadas, no contexto das reflexões que envolvem o caráter da ciência, adquire densidade a discussão acerca das possibilidades de rearticulação dos saberes. Feita de um ansioso e tateante repensar, a ciência, nesse debate, interroga-se e desloca-se, intencionalmente, para o centro. Contudo, todos os saberes, para além da própria ciência, são focalizados à procura de fios de meada e de travessias que possam fazer frente aos limites e aos espaços nodais tecidos pelo conhecimento. Do limite à fronteira: da questionada condição compartimentada da ciência à compreensão dos espaços de atravessamento dos saberes, espraia-se, difusa e incerta, a trajetória desse repensar a razão. A ciência é transdisciplinar, por natureza, estando, sempre, para além de si mesma e dos limites disciplinares que a representa. A ciência é, por isso, também, a negação da própria condição que ela adquire ao longo do processo de especialização disciplinar. Contraditória é a razão. Arrazoada, caprichosamente, projeta e borda limites, crise aprisionada em si mesma. A razão é crise de razão que se exterioriza, na ciência que se redesenha, através do desejo de encontros, de esquinas. Feita de uma ética recuperada, a transdisciplinaridade, ecologia de saberes, é a manifestação da sensação de perda e falta, a imagem da busca do encontro do outro — porque nele se existe. A transdisciplinaridade, ecologia de saberes, é a ciência que, ao se repensar, permite ao homem interrogar a sua condição e existência. Esvaziado de humanidade é o homem, coberto de razão excludente, pleno de limites e prisões. A ciência da ciência é o saber, falível, frágil, desassossegado, que o homem procura e nele se interroga para se descobrir no outro.
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