Nº 3

dezembro de 2013

Risco, Cidadania e Estado num Mundo Globalizado

Autores: José Manuel de Oliveira Mendes, Alexandra Aragão, Pedro Araújo e Márcio Nobre

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Resumo:

O projeto de investigação cujo relatório final se apresenta teve como principal objetivo analisar o trabalho político realizado, dos níveis local ao transnacional, para normalizar acontecimentos extremos ou situações perigosas permanentes. Esta é uma questão política que se articula com o problema da relação entre os Estados, os interesses privados e públicos e a construção da democracia. Em nome do interesse público, os Estados abstêm-se de intervir e protegem as leis do mercado, sendo as ciências um tipo ideal de arena onde a interferência indesejada do Estado fica salvaguardada. A nossa perspetiva é de que no caso de acontecimentos extremos ou de situações perigosas permanentes há, pelo contrário, uma maior legitimação para a intervenção do Estado e para a suspensão das normas e regulações sociais e económicas, para a criação de um estado de exceção que revela a inelutável presença do Estado. Empiricamente, o projeto comparou uma localidade portuguesa, a Urgeiriça (Canas de Senhorim, Viseu) com a região francesa do Limousin, Limoges, em França, que partilham a existência de minas de urânio desativadas, objeto de requalificação ambiental. Foram concretamente objetos de comparação as dinâmicas locais e as atuações dos respetivos Estados nacionais na normalização das situações.