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Colóquio
O Trauma no Olhar de Diferentes Culturas
28 de fevereiro de 2019, 10h00
Centro de Informação Urbana de Lisboa - CIUL

Apresentação

A inscrição religiosa em diversas áreas do conhecimento é incontestável. Na história da medicina o científico e o espiritual se misturam - a origem da doença, a explicação de sintomas e a prática médica fundavam-se tanto na tradição empírica, como em crenças espirituais; no direito, a religião influenciou o modelo atual de leis e sentenças e em alguns países os escritos religiosos ainda são uma ferramenta para organização social. Como tal, as religiões participam do desenvolvimento científico, político e cultural.

Conhecidos nomes da filosofia e psicologia, como Thomas Hobbes, Michael Foucault e Sigmund Freud dedicaram uma parte de suas carreiras para a compreensão da crença religiosa e suas repercussões no comportamento e sofrimento humano. O conceito de pecado e o medo da punição eram vistos como necessários para manter a ordem social. Entretanto, sabemos que tais conceitos provocam "sofrimento moral" e podem levar ao sentimento de culpa. Considerando o papel das religiões nas representações que o indivíduo faz sobre seus desejos, pensamentos, e também de suas reações diante de adversidades, questionamos a influência da cultura religiosa no estabelecimento do trauma psicológico. Após uma experiência traumática, se sua história é marcada pela presença da religião, ou sua família e comunidade são organizadas através do ensino religioso, as representações que fará do acontecimento traumático poderão ser afetadas por discursos que intensificam os efeitos emocionais e sintomáticos. Ou, por outro lado, a religião pode ser o meio de lidar com o trauma sendo, muitas vezes, uma estratégia de coping muito eficaz.

São mais dúvidas do que certezas que discussões sobre as religiões nos colocam e, talvez, por isso nos lançamos mais uma vez no desafio de abordar um assunto tão controverso, mas tão interessante. O presente colóquio quer trazer para discussão diferentes olhares para a forma que as religiões elaboram o sofrimento após um evento traumático, seria um stressor secundário ou uma positiva estratégia de coping? E que implicações poderemos elaborar para a prevenção do trauma psicológico e para a sua mitigação em contexto clínico?

Inscrição gratuita, mas obrigatória.

Organização: Centro de Trauma do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra
 

Apoio

 
 

 

Oradores

Anselmo Borges - Padre da Sociedade Missionária Portuguesa. Doutorado em Filosofia pela Universidade de Coimbra de cuja Faculdade de Letras é Professor. Licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma. Tem o D. E. A. (Diplôme d’études approfondies) em Ciências Sociais pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. É também Professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e na da Universidade de Coimbra. Tem várias obras publicadas, todas com várias edições. É colunista do “Diário de Notícias”.

António Marujo - Jornalista dedicado a informação religiosa, trabalhou no Público (1989-2013) e, antes, na revista Cáritas e jornais Expresso e Diário de Lisboa. Atualmente, dirige o jornal digital Sete Margens. Colaborou em programas de rádio e televisão e foi distinguido (1995 e 2006) com o Prémio para o Jornalista Europeu de Religião do Ano, outorgado pela Conferência de Igrejas Europeias. É autor de vários livros, entre os quais Lugares do Infinito, Diálogos com Deus em Fundo, A Lista do Padre Carreira e Papa Francisco - A revolução imparável.

António Sousa Ribeiro - Professor catedrático do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da UC e presentemente, coordenador da direção do CES-UC. Ao longo da sua trajetória de docente e investigador, exerceu inúmeros cargos, incluindo os de presidente do Conselho Científico da Faculdade de Letras, presidente do Conselho Científico do CES e diretor do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas desta Faculdade. É co-coordenador dos programas de doutoramento Discursos: Cultura, História e Sociedade e Pós-Colonialismos e Cidadania GlobalFoi, entre 1991 e 2008, responsável pela Revista Crítica de Ciências Sociais. É formador nos Cursos de Psicotraumatologia do Centro de Trauma/CES.

Faranaz Keshavjee - Natural de Moçambique, chegou a Portugal em 1974, como retornada. Fez a licenciatura em Antropologia Social e o Mestrado em Psicologia Social, no ISCTE-IUL. Em 1994 iniciou mais uma pós-graduação em Estudos Islâmicos e Humanidades no IIS, Londres, para depois prosseguir para um programa de Doutoramento no Corpus Christi College da Universidade de Cambridge. Trabalhou alguns anos no Centro Ismaili como Scholar da Tariqah Ismaili. Nos últimos 20 anos foi docente convidada na Universidade Católica, Universidade Lusófona, ISCSP-UL, SIRP e no ISCTE. Neste momento é investigadora associada no ICS - Universidade de Lisboa.

Gwynyth Overland - Socióloga, PhD em Sociologia Clínica e Sociologia da Religião, Conselheira Especial do Southern Norway Trauma Competency Centre (RVTS), e membro do Conselho da International Society for Health and Human Rights (ISHHR). A sua tese de doutoramento centrou-se no estudo da resiliência cambojana, através de sobreviventes do regime Khmer Vermelho, o que deu origem ao livro “Post Traumatic Survival: The Lessons of Cambodian Resilience” (2013). Publicou diversos artigos e livros, sobretudo focados nas migrações forçadas e na saúde mental. Os seus interesses de pesquisa incluem o estudo da radicalização e do extremismo violento – último livro publicado “Violent Extremism in the 21st Century: International Perspectives” (2018).

Jana Javakhishvili - Actual presidente da European Society for Traumatic Stress Studies (ESTSS). Doutorada em Psicologia. Diretora do Instituto de Estudos de Dependência da Ilia State University, Tbilisi, Georgia, professora associada na mesma universidade e co-fundadora do Programa de Mestrado em Estudos de Vício e Mestrado em Saúde Mental. Trabalha para a Fundação não-governamental Global Initiative on Psychiatry-Tbilisi (GIP-T), membro da Federação GIP, que facilita as reformas na saúde mental no Sul do Cáucaso, Ásia Central, Ucrânia, outros países da antiga União Soviética e também no Sri Lanka. Desde 2002, está envolvida no campo da transformação de conflitos como facilitadora dos processos de construção da paz na Geórgia e no sul do Cáucaso.

Joshua Ruah - Médico, especialista em Urologia exerceu ao longo da sua carreira múltiplos cargos clínicos e de direção hospitalar bem como funções diretivas na Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos. Foi presidente da Comunidade Israelita de Lisboa entre 1979-1991 e 1995-1999, e é atualmente Membro da Associação Portuguesa de Estudos Judaicos.

Luís Moita – Doutorado em Ética pela Universidade Lateranense (Itália), é Professor Catedrático de “Teorias das Relações Internacionais”, Diretor do Departamento de Relações Internacionais e membro do Conselho Científico da Universidade Autónoma de Lisboa (da qual foi Vice-Reitor entre 1992 e 2009). Dirige a unidade de investigação OBSERVARE (Observatório de Relações Exteriores) na mesma Universidade, bem como o anuário JANUS e a revista científica JANUS.NET, e-journal of International Relations.

Luísa Sales - Médica, especialista em Psiquiatria e Chefe de Serviço da carreira médica hospitalar. É sócia titular da Sociedade Portuguesa de Psicodrama e tem sido docente convidada do mestrado de Psiquiatria Social e Cultural da Faculdade de Medicina da UC. Coordena o Centro de Trauma /CES. Foi, entre 2011 e 2015, membro do board da European Society for Traumatic Stress Studies (ESTSS).

Paulo Borges - Professor de Filosofia na Universidade de Lisboa. Cofundador e presidente do Círculo do Entre-Ser. Co-fundador e ex-Presidente da União Budista Portuguesa. Coordenador do Seminário Permanente "Vita Contemplativa. Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea" no Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Doutor “honoris causa” pela Universidade Tibiscus de Timisoara (Roménia). Autor e organizador de 52 livros. Mais recentes:  Os Animais, Nossos Próximos. Antologia do amor humano aos animais (da Antiguidade a Fernando Pessoa (2018) (com Daniela Velho); Vazio e Plenitude ou o Mundo às Avessas. Estudos e ensaios sobre espiritualidade, religião, diálogo inter-religioso e encontro trans-religioso (2018); Fernando Pessoa. Rafael Baldaya, el Pessoa hermético y ocultista (com Cláudia Souza e Nuno Ribeiro) (Madrid, 2018).

Rui Aragão Oliveira - Doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de Coimbra, exerceu docência universitária no ensino público (Universidade de Évora) e privado (ISPA).  Psicanalista titular e com funções didáticas na Sociedade Portuguesa de Psicanálise, é membro da Associação Internacional de Psicanálise e dirigiu a Revista Portuguesa de Psicanálise. Foi membro inicial do Editorial Board Psychoanalysis. Pertence ao Comité de Assessores do Livro Anual de Psicanálise/Internacional Journal of Psychoanalysis e da Revista IDE. É atualmente o presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

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