MODERNIDADE

O corpo pesa como um barco antigo
de pedra. mas é também de melancolia
optimismo trágico. a acção rebelde do
pólen sobre o caos. o centro da imobilidade
é uma boca de aço redonda intacta. toda
a maturação doce dos dedos é um coágulo
de um tempo linear. na extremidade o sul
as margens. a febre utopia realista dos
homens está na cozedura pragmática do
silêncio. os círculos desfazem-se nos nós
obsessivos da fala. nos olhos húmidos dos
animais a fronteira a diferença. como se
a única identidade vulnerável nua seca
morresse com as árvores. estamos sós sob
a primeira nascente. etnocêntrica a terra
inicial. o fio da água no bafo dos corpos.    

JOÃO RASTEIRO

16-09-2004

Este poema foi realizado, tendo como base a conferência de abertura, do VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, realizado em Coimbra, e efectuada pelo Prof. Dr. Boaventura de Sousa Santos (C.E.S.-Universidade de Coimbra)

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