EIS O NOME PARADIGMA

Eis o nome Paradigma
um paradigma em P
parco barco navega a margem o P
da palavra – paradigma
um P de pós
um P de pó perdido
pó de pedra
pó de perda
morre o P do paradigma
não cumprido só moderno
morto morte matada
da morte em Auschwitz
a morte do paradigma
P de porta cerrada
morte-fim do paradigma
com o nome de moderno
morta modernidade
com a morte em Auschwitz

Eis agora um P de Pós
paradigma pós-moderno
posição – o-posição
crítica do pós-moderno
palavra prenha da vítima

Paradigma confronto
pós-moderno colonial
pós-colonial capital

Modernidade exausta
imperialismo vivente
melancolia morrente
e uma utopia ferida
pós-colonial permanente
permanece
afropessimismo do sul

Há um saber que é na ordem
e uma ignorância no caos
aprender ao sul sofrimento
resistência sobreviva
arrancada à arma-norte

O paradigma em P
pós-moderno oposição
pós-colonial social

E o desejo o sonho o ser
é ser igual no diferente
a diferença sendo igual

Teoria paradigma
a voz dorida da vítima
o grito em nome próprio

Social colonialismo
permanece
permanente
profícuo e paralelo

o desejo o sonho o ser
o não ser colonial
gritar de dentro da voz
no sopro longo da língua

E nesta língua que somos
descobrir o ser sentido
na voz íntima do ser

JORGE FRAGOSO

Poema construído a partir da conferência de abertura do Professor Boaventura de Sousa Santos
(em 16 de Setembro 2004 – VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais).

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