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Pontos de Vista

Testemunhos do Tempo Covid

 

PAULO CÔRTE-REAL

TRATAR O MEDO POR TU

Ser gay ou lésbica ainda é viver com medo. Medo do insulto quotidiano, da eventual agressão, do bullying. Medo da rejeição familiar, da impossibilidade de construir uma família que seja nossa. Medo da não-contratação, da não-promoção, do assédio. Medo da ida ao hospital, da ida à esquadra da polícia. Medo da hesitação, medo da quebra no olhar que se desvia, medo do desconforto sistemático. Ler mais.

 

ISABEL MAIA GONÇALVES

A minha avó era uma pessoa autónoma. Das mais lúcidas da família. Na nossa casa agrícola, conseguiu sempre manter-se activa. Nós tínhamos prometido, ao meu avô, que cuidaríamos dela até ao último dos seus dias. Até isso a Covid nos roubou. Perdemo-la na segunda vaga. Esteve 18 dias internada. Quando foi para o hospital, quando entrou na ambulância, foi angustiante. Já não a vemos mais... Mas vimos, porque naquele hospital permitiam a despedida. Estamos muito gratos! Não sei se estarão reunidas condições, nomeadamente de disponibilidade de pessoal, num contexto de caos como o actual, para dar essa opção aos familiares. Em muitos hospitais talvez não existam. Então, os familiares verão apenas uma caixa, onde dizem que jaz, no interior, um corpo despojado de bens. Uma caixa que nem podem velar. A Covid também nos roubou um luto apaziguador. Ler mais.

 

PAULA COUTINHO
MÉDICA INTENSIVISTA

01-02-2021

E vou pensando... Será que estou errada, será que penso e vejo diferente porque em causa própria? Só ouço desgraças, caos nos hospitais, tudo a correr mal nas vacinações, estamos mesmo à beira do abismo. E, eis que vêm 28 ou 30 alemães para ajudar e salvar o país do caos. Isto é o que ouço e vejo nas televisões. Eu que não sou expert em nada mas que trabalho há 42 anos a ver doentes, vejo todos os dias os hospitais a aumentarem as camas de internamento e de UCI, a irem muito além do que tinham previsto, as equipas a serem reforçadas diariamente, médicos, enfermeiros e assistentes operacionais a saírem das suas áreas de conforto para poderem ajudar. Ler mais.

30-01-2021

E ninguém pára esta gente? Quero dizer que as televisões e o seu jornalismo estão a prestar um mau serviço ao país e aos portugueses. Permanentemente à procura da notícia bombástica, do desastre maior, do que corre mal, do que foi feito de errado, de quem é a culpa... Ao ver e ouvir diariamente dezenas de "experts" e pseudo experts, de opinadores e causadores de alarme, do tanto que está errado e do pouco que se fez para prevenir... Tudo isto cansa, alarma, não é pedagógico e não ajuda. E hoje a acrescentar a tudo isto as televisões estão em directo a transmitir a transferência de 3 doentes críticos para a Madeira. Ler mais

Olhando em Volta

 

PEDRO ABAFA 

#Me too e Eu também!

O movimento #Me too, maioritariamente feminino, que nos últimos anos tem aparecido em todo o mundo, está a ter também repercussões em Portugal com o aparecimento de vários testemunhos nas últimas semanas, onde várias mulheres, figuras públicas, revelaram ter sido vítimas de assédio sexual em contexto laboral.

A discussão do tema do assédio sexual na praça pública é bem vinda, e promove a “consciencialização” social para estes comportamentos abusivos, não consentidos, intimidatórios e invasivos da liberdade individual, que afetam mulheres todas as classes sociais, mas também, ainda que com menor representatividade, homens. Ler mais

(Maio 2021)

 

SUSANA GOUVEIA

“Tão ladrão é o que rouba, como o que fica à porta.”

(A propósito da afirmação: “os imigrantes ficam com o trabalho que os portugueses não querem aceitar” – a questão é: como é que há quem “ofereça” determinadas condições de trabalho?)

Em Odemira, o poder da Humanidade falhou.
Como é que no século XXI existem, em território português, “pessoas que submetem outras pessoas” à escravatura? – considerando que Portugal foi pioneiro na sua abolição, em 1761...
Onde fica o dever de cidadania, de denunciar a prática deste tipo de atitudes?
Onde fica a consciência de cada pessoa que, nas rotinas diárias, se cruzou com imigrantes, a quem outros iguais retiraram o apoio aos mais vulneráveis, subtraindo a cada dia menos horas de igualdade?
Ler mais.

(Maio 2021)