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CES Summer School

Imagens em Liberdade – culturas visuais de Abril

17 - 21 de junho de 2024 | 09h30-18h00

CES | Alta (Coimbra, PT)

Apresentação

   Imagem: Maria Helena Vieira da Silva, cartaz A poesia está na rua (detalhe)


O alargamento do âmbito das Humanidades viabilizado pelos Estudos Culturais permitiu o entendimento de que o poder não se aloja apenas em objetos textuais, mas nas práticas derivadas da relação dos sujeitos com esses objetos. A imagem emergiu, nas últimas décadas, com especial relevância enquanto objeto codificado e codificador de ideologias e práticas sociais, afinal, apenas veículo e expressão da cultura ocularcêntrica e da espetacularidade performativa nas sociedades contemporâneas. Esta prevalência tende, no entanto, a normalizar as práticas de visualização, ocultando as relações de poder que lhes subjazem. A abordagem privilegiada por esta escola é justamente desmontar criticamente os processos através dos quais determinados regimes visuais se instalam e também como a cultura cria espaço para a sua contestação e para a criação de outras visualidades – ou contravisualidades. A perspetiva dos Estudos de Cultura Visual, uma das ramificações dos Estudos Culturais, afigura-se como a mais adequada para essa abordagem, no sentido da divulgação, aplicação e discussão de conhecimento produzido por investigadores/as do CES, de outras unidades da Universidade de Coimbra, de outras instituições ou outros especialistas que desenvolvem investigação neste domínio, a estudantes e jovens investigadores/as. Os objetivos principais são desenvolver uma reflexão teórica e uma análise crítica articuladas sobre fenómenos associados a objetos e práticas visuais.

A segunda edição da escola pretende explorar, especificamente, a cultura visual da Revolução de Abril. Importa-nos refletir acerca de como objetos e práticas visuais apontavam outros modelos de ver o mundo, representar questões de sociabilidade e de comunidade, bem como sobre o próprio conceito de visual e como ele se (re)articula perante as representações de liberdade e cidadania no contexto da Revolução. Iremos interrogar e analisar o papel de media visuais e artísticos na desconstrução de perceções erróneas, preconceitos, distorções e invisibilizações, a par de novas propostas de representação de alteridade e de deteção e reparação de injustiças e desigualdades no domínio sociocultural. Serão, portanto, escrutinadas formas de expressão artística e popular contra-culturais e contra-hegemónicas, com predomínio das gramáticas do visual que se têm projetado no tempo até à contemporaneidade – do documentário à pintura, fotografia, arte urbana e banda-desenhada, que assim vão atualizando o contributo e os ideais da revolução de Abril.

Em termos metodológicos, e uma vez que a cultura está no centro dos estudos, a análise será interdisciplinar, contando a escola com uma equipa de formadores/as de disciplinas diversas e envolvendo metodologias como, por exemplo, a pedagogia pelas artes, a análise de discurso multimodal, a história e os estudos culturais, que pretendem dar resposta a um entendimento mais amplo da imagem enquanto complexo agregador de forma, cor e texto. O estudo da imagem como um complexo que apela não apenas ao olhar, mas a outros sentidos permite, por sua vez, desenvolver no público participante competências de multiliteracias: visual, digital e estética.


Coordenação
Maria José Canelo (Docente FLUC e Investigadora CES) e Patrícia Silva (Investigadora CES)


Parcerias
Programa de Mestrado em Estudos de Cultura, Literatura e Línguas Modernas (FLUC); Faculdade de Letras da UC


Público-alvo
Estudantes e docentes do ensino superior, docentes do ensino básico e secundário e público em geral


Corpo de formadores/as

Ana Bela Almeida (Universidade de Liverpool, RU)
Inês Nascimento Rodrigues (CES)
João Miguel Lameiras (Investigador independente)
Maria José Canelo (FLUC/CES)
Miguel Cardina (CES)
Patrícia Silva (CES)
Pierre Marie (CES)

Outros/as formadores/as a confirmar


Formato da escola

- Palestras de académicos e artistas convidados/as;
- Seminários dinamizados por formadores;
- Visitas a instituições locais e a eventos culturais;
- Visionamento de documentário e debate com a realizadora;
- Atividade criativa coletiva;
- Oficinas de apresentação de trabalhos pelo/as participantes e discussão entre pares e com formadores/as e coordenadoras.


[Programa > Mais informação em breve]



Inscrição

Early-bird (entre 5 de fevereiro e 28 de abril): 100€ - geral || 75€ - desconto para estudantes dos programas parceiros (Mestrado em Estudos de Cultura, Literatura e Línguas Modernas)

Inscrição normal: (entre 29 de abril e 14 de junho): 120€ - geral || 90€ - desconto para estudantes dos programas parceiros (Mestrado em Estudos de Cultura, Literatura e Línguas Modernas)

São aceites desistências (mediante comprovativo) até ao dia 10 de Junho, com direito a reembolso parcial do valor da inscrição.

+ 2 vagas para investigadores/as, estudantes de pós-doutoramento e investigadores/as juniores do CES

Notas biográficas dos/as formadores/as

Ana Bela Almeida é professora na Universidade de Liverpool. Algumas das suas publicações incluem os livros: Adília Lopes (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2016); em coedição, Literatures in Language Learning: New Approaches (Research-publishing net, 2020); em coautoria, Quiosque literário: aprender português com a literatura (Lidel, 2011) e O ensino das literaturas em português (Tagus Press – Umass Dartmouth, 2023).

Inês Nascimento Rodrigues é investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação incluem os estudos da memória, as teorias pós-coloniais, as representações da violência e a história cultural do trabalho forçado. O seu livro mais recente, em coautoria com Miguel Cardina, é O Dispositivo Mnemónico. Uma História da Memória da Luta de Libertação em Cabo Verde (Coimbra: IUC, 2023; Londres e Nova Iorque: Routledge, 2022, na versão inglesa).

João Miguel Lameiras é Mestre em História da Arte pela Universidade de Coimbra e Especialista em BD e ilustração, com obras publicada em jornais, revistas, livros e catálogos. Leccionou na Escola Superior Artística de Guimarães (Licenciatura de Banda Desenhada e Ilustração e Mestrado de Ilustração) e no Politécnico do Cávado e do Ave (Mestrado de Ilustração e Animação). Para além de ter realizado a curadoria de diversas exposições para Festivais de BD nacionais e estrangeiros, é também tradutor, argumentista, prefaciador e editor de BD. É um dos sócios da Dr. Kartoon, livraria especializada em BD, fundador da Cooperativa Editorial A Seita e é programador do Festival Coimbra BD desde 2016. Imagens de uma Revolução, com João Paiva Boléo e João Ramalho-Santos, Conversas de Banda Desenhada, com Carina Correia e Auto da Barca do Inferno, com Joana Afonso, foram os seus últimos livros publicados.

Maria José Canelo é Professora Auxiliar da Faculdade de Letras e investigadora do Centro de Estudos Sociais da UC. É doutorada em Estudos Americanos e os seus interesses de pesquisa situam-se nos estudos literários e culturais, estudos interamericanos e estudos de cultura visual e incluem tópicos como: literatura e política, cultura, identidade e diferença, representação, nação, nacionalismo, transnacionalismo, cidadania, imigração, e revistas literárias. Publicações mais recentes: “Shaping the visuality of the ‘American Century’ in Life magazine through the lenses of women photographers”, American Studies Over_Seas 1: Narrating Multiple America(s). In Honor of Teresa F. A. Alves and Teresa Cid. Orgs. Edgardo Medeiros et al. (Peter Lang, 2022) e Comunidades literárias e projetos nacionais: as revistas modernistas Orpheu, Portugal Futurista, Poetry, A Magazine of Verse e The Little Review (CES/Almedina, 2022).

Miguel Cardina é investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Coordenou, até janeiro de 2023, o projeto de investigação «CROME - Crossed Memories, Politics of Silence. The Colonial-Liberation Wars in Postcolonial Times», financiado pelo European Research Council (ERC). É autor ou co-autor de vários livros, capítulos e artigos sobre colonialismo, anticolonialismo e guerra colonial; história das ideologias políticas nas décadas de 1960 e 1970; e dinâmicas entre história e memória. Entre os seus livros mais recentes contam-se: Remembering the Liberation Struggles in Cape Verde. A mnemohistory (c/ Inês Nascimento Rodrigues, 2022, Routledge; ed. portuguesa pela Imprensa da Universidade de Coimbra, 2023), O Atrito da Memória. Colonialismo, guerra e descolonização no Portugal contemporâneo (ed. portuguesa, Tinta-da-china, 2023; ed. italiana, Meltemi, 2023; ed. em castelhano pela Verso Libros, no prelo) e a coordenação do volume The Portuguese Colonial War and the African Liberation Struggles. Memory, Politics and Uses of the Past (2024, Routledge).

Patrícia Silva é investigadora associada ao Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e docente nas áreas de ensino da língua, da tradução e formação de professores. Os seus interesses de investigação incluem Fernando Pessoa, o Modernismo, estudos literários e culturais comparados e culturas visuais. É autora de Yeats and Pessoa: Parallel Poetic Styles (Routledge, 2ª ed. 2020), co-editou o número especial da revista Pessoa Plural 11, “Modernismos portugueses 1915-1917: Contextos, Facetas e Legados da geração Orpheu” (Primavera, 2017) e publicou recentemente “Brazilian Modernists and the Avant-Garde: Transcultural Modernism in the Postcolonial Periphery”, in Katia Pizzi, Roberta Gefter Wondrich (orgs), Rethinking Peripheral Modernisms (Palgrave Macmillan, 2024).

Pierre Marie é investigador colaborador no Centro de Estudos Sociais (CES). Integrou o projeto "25AprilPTLab - Laboratório interativo da transição democrática portuguesa" no CES e no Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra (CD25A). É doutorado em História Contemporânea da Universidade de Coimbra e da Universidade de Caen - Normandie (França). Desde 2022, é membro do projeto Rebobinar.

Inscrição

Apresentação Notas biográficas dos/as formadores/as Inscrição