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CES em CENA 52 O impacto da atual crise de pandemia sobre as pessoas e as instituições está ainda longe de poder ser avaliado em toda a sua extensão. No caso do CES, a maior parte dos eventos previstos teve de ser cancelada, incluindo eventos de grande dimensão e já em fase muito adiantada de preparação, como o XIV Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Durante um período difícil, o CES esteve concentrado em adaptar-se às novas circunstâncias e manter operacional a sua estrutura administrativa e de investigação. Tanto as atividades de investigação como de formação avançada se mantiveram em pleno, com os programas de doutoramento a adaptarem-se com rapidez às condições de um ensino não-presencial. Ao mesmo tempo, foram-se realizando reuniões, seminários e outras iniciativas em formato digital. No momento em que escrevo, o CES reabriu já as portas, incluindo as da sua Biblioteca Norte|Sul, embora ainda a uma escala sujeita às muitas restrições impostas pelos requisitos de segurança.
A adaptação a um uso reforçado da comunicação à distância implicou alguma reformulação da nossa página Web, com o destaque dado a três novas secções destinadas a acolher textos e intervenções relevantes para a reflexão sobre a atual situação pandémica: Saber (com)vida; Conversas com o mundo; CES (Com)vida 2020. Noutro plano, a partir de 9 de junho terá início uma série de seminários, de periodicidade semanal, intitulada “Conversas desconfinadas”. Paralelamente, irá aumentando, de forma progressiva, a oferta de outros conteúdos. São inevitáveis as muitas perdas, em todos os planos, inerentes ao atual estado de exceção. O CES tem plena consciência dos muitos sacrifícios pessoais que a adaptação a esse estado ocasionou e continua a ocasionar. A primeira preocupação, neste momento, diz, assim, respeito ao bem-estar da nossa comunidade, isto é, à obediência ao imperativo do cuidado, com o pressuposto de que circunstâncias pessoais ou familiares difíceis poderão ter de prevalecer sobre obrigações profissionais ou a busca dos mais elevados níveis de produtividade. Como todas as crises, esta tanto pode ser uma oportunidade para a renovação da reflexão crítica e para a transformação social como contribuir para o reforço de lógicas disciplinares e de controlo social e para formas de esvaziamento da democracia. Cabe ao pensamento crítico, não apenas resistir à tentação da deriva para uma sociedade da vigilância, como propor alternativas fortes. O CES será parte desta reflexão e irá emergir da crise mais forte, mais solidário, mais capaz de enfrentar qualquer desafio futuro. António Sousa Ribeiro |
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