JUSTFOOD <br>Das Redes Alimentares Alternativas à Justiça Ambiental

JUSTFOOD
Das Redes Alimentares Alternativas à Justiça Ambiental

Período
15 de julho de 2018 a 14 de julho de 2021
Duração
36 meses
Financiamento
FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional através do COMPETE 2020 - Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (POCI) e por fundos nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Resumo

Consumir 'alimentos justos' é um desafio global. A investigação crítica sobre justiça ambiental e movimentos agroalimentares alternativos (MAA) (Holt Giménez & Shattuck 2011, Agyeman 2014) indica que o foco na 'qualidade' para atingir a sustentabilidade agroalimentar deve ser examinada através dos processos e não dos resultados: maior justiça e democratização são elementos chave para a transição e transformação apoiada pelos MAA. A literatura revela que os mais afetados pelas injustiças (fome, insegurança, doença) são, antes de mais, as comunidades de baixos rendimentos em áreas marginais. Por outras palavras, alimentos de qualidade tornou-se um privilégio e não um direito (Ploeg 2010, Allen 2010, Anguelovski 2013, 2016). Neste contexto, cultivar 'alimentos justos' pretende 'assegurar uma melhor qualidade de vida para todos, hoje em dia e no futuro, de uma forma justa e equitativa, ao mesmo tempo que assegura uma vida dentro dos limites dos ecossistemas de suporte' (Agyeman et all 2003, p. 5).
As perguntas de investigação do presente projeto são: Como podem os MAA contribuir para uma 'sustentabilidade justa' dos alimentos? Quais são os desafios e potencialidades de cultivar 'alimentos justos'? Com base em teorias da performatividade e práticas do quotidiano e correspondentes metodologias, 'AlimentosJustos' visa contribuir com conhecimento relevante para as políticas públicas sobre o potencial transformativo dos MAA na Europa. O projeto estabelece a hipótese de que o potencial para ter 'alimentos justos' reside na micro-política dos diferentes atores sociais envolvidos nos MAA (agricultores, ativistas, investigadores, políticos) e no seu envolvimento em conflitos e movimentos socio-ambientais mais amplos com a possibilidade de transformar as práticas alimentares para que sejam mais abertas, inclusivas socialmente, e igualitárias em termos das relações de poder na produção e consumo de alimentos. Por outras palavras, práticas como os bancos de sementes, a partilha, o cozinhar ou transportar e planear a 'co-produção' de alimentos pode tornar-se a táctica para a 'sustentabilidade justa' de modo a tornar a vida 'possível de ser vivida' e trazer alimentos acessíveis a todos e todas. Mais 'alimentos justos' requer um conjunto de relações coletivamente negociáveis, numa perspetiva socio-política, económica, cultural e ecológica. O projeto usa métodos etnográficos para documentar estas práticas e experiências do quotidiano na Roménia e Portugal, dois países periféricos na Europa com semelhanças e diferenças em termos de culturas agroalimentares, um passado de regimes autoritários e movimentos pela justiça socioambiental. Mais especificamente, este projeto presta atenção a como os vários atores envolvidos nos MAA - agricultores, ativistas, pescadores, etc. - incorporam e expressam nas suas práticas quotidianas de produção e consumo alimentar os conflitos e movimentos mais abrangente por condições socioambientais mais justas.

Palavras-Chave
sustentabilidade alimentar justa, práticas da vida quotidiana, justiça socioambiental, conflitos ambientais